Terça-feira, 29 de Maio de 2007

UM POR TODOS E TODOS POR UM (Comunhão dos Santos)


Certamente, nos últimos 50 anos, o mundo tem crescido bastante. Juntamente com esse crescimento e, em especial, com o comportamento e o sistema que o representa, o mundo tem sofrido muitas e profundas transformações. Estamos vivendo em uma época de “facilidades”, onde o avanço da ciência, as descobertas, as máquinas, a tecnologia e os variados recursos eletrônicos facilitam a vida de uma certa parte da população mundial.
Analisando um pouco mais, podemos também observar que está época se enquadra como sendo de um puro relativismo, ativismo e profissionalismo, onde os valores tradicionais são questionados e os ideais são voltados unicamente a atingir sucesso e desenvolvimento lucrativo em todas as áreas possíveis. Essa busca pelo sucesso e por melhores condições é almejada e vivenciada por muitos, independente das camadas sociais. Para atingir tais objetivos, muitos desprezam a ética e os padrões regentes tradicionais da sociedade e, se possível, passam como um rolo compressor por cima de seus semelhantes. É notória hoje a crescente individualidade existente em uma grande parte da humanidade. O egocentrismo tem seu destaque e se faz influente nas atuais sociedades. Infelizmente, em outras palavras, hoje é (quase) cada um por si.
Continuando em este seguimento de transformações, desenvolvimento e busca por atingir objetivos, mas focalizando o ambiente eclesiástico, entendemos também que nesta atual época a igreja nacional, a âmbito protestante, atingiu um considerado crescimento quantitativo. Observa-se que este crescimento tanto ocorreu em números de denominações e igrejas, como em números de membros e congregados nas denominações e igrejas. As inúmeras denominações protestantes existentes no Brasil têem investido, muito delas com afinco, em trabalhos ministeriais a níveis de plantação e formação de novas igrejas. Todas elas, se não quase todas, investem tempo e dinheiro em tudo isso; investem de forma forte e comprometedora com todo o trabalho de crescimento quantitativo. O que se espera ainda hoje é, pelo menos por parte de algumas, que este crescimento aconteça em um grau muito mais elevado com o passar dos anos.
Em um dos meus momentos de estudos da Eclesiologia, acontecido mais precisamente no ano de 2004, observei um ponto que me fez levar a uma reflexão incomoda, porém considerável. A observação gira em torno dos relacionamentos existentes na igreja – A Comunhão dos Santos - onde aborda o conceito de que “A igreja é baseada nos relacionamentos”.A minha reflexão deu seguimento quando percebi que, a Igreja de Cristo (Corpo), ou uma grande parte da mesma, negligencia os ensinamentos do Mestre referente à unidade cristã.
O pastor Bruce Triplehorn¹ expõe em seu material de Eclesiologia:“Jesus enfatizou a união da igreja como um testemunho vivo. A realidade do nosso relacionamento com Deus será manifesta através da maneira que tratamos uns aos outros dentro da igreja. Esta união não pode ser legislada através de estatutos ou regimentos internos nem pode ser fabricada através de programas e atividades. Ela é resultado do nosso relacionamento com Ele”.
Consideramos relevante este crescimento em quantidade, mas procurando focalizar ângulo de um crescimento qualitativo, que em alta escala envolve a Comunhão dos Santos, como se apresenta a igreja protestante brasileira hoje? Conforme o exemplo de quantidade, será que hoje se observa um considerado crescimento "koinonico" nas igrejas locais protestantes e nos mais variados grupos denominacionais? Como se apresenta, nesta pós-modernidade, a comunhão e os relacionamentos entre os santos do Senhor Jesus Cristo? Há nas igrejas protestantes nacionais uma preservação da Comunhão dos Santos, ou isto é um mandamento quase que totalmente negligenciado em esta geração? Se há uma negligência quanto a este mandamento do Senhor (Mt. 22:39 / Jo. 13:34-35), como poderemos superar este desafio de conduzir a igreja protestante brasileira a uma comunhão viva e plena? Quais são os pontos evidenciados pela igreja que afetam os relacionamentos?
Entendemos que a Koinonia da igreja cristã protestante brasileira foi influenciada, e ainda esta sendo, por essa onda pós – modernizante. Assim, podemos supor, com uma considerável margem de clareza, que esta influência tornousse mais uma fenda para entrada de algumas modificações nos relacionamentos dos santos. Observamos os partidaristas (os partidos e grupos existentes); os individualistas (as pessoas que não se relacionam); o ativismo (o ativismo eclesiástico da liderança e membros); Jogo de interesses (a busca de muitos por “melhores” posições); Preconceito (raça, classe social, finanças, etc); Negligência (a falta de amor, cuidado e assistência com os mais necessitados no corpo). Tudo isso é pecaminoso, lamentável, inaceitável e vergonhoso, mais infelizmente é realidade hoje na comunidade cristã protestante. A mentalidade e a influência de um mundo pós-modernista se faz presente na igreja de hoje, alterando de maneira impactante seus relacionamentos e obviamente afetando seu crescimento em espiritual. Estes são pontos, juntamente com muitos outros não mencionados, consideráveis para gerarem um enfraquecimento no corpo de Cristo. Porém, acredito eu que, na realidade, o ponto principal para tal enfraquecimento possivelmente venha da falta de uma intima comunhão com Deus. A igreja, que somos nós, é caracterizada e definida pelos relacionamentos do cristão com Deus e com o seu próximo, sendo este tanto os de dentro como os de fora da comunidade cristã.
>>> PARE E PENSE:
A igreja bem que poderia ter um lema igual ao dos Três Mosqueteiros: Um por todos e todos por um - (Atos 2:42-47)
1. Pastor e professor em Belém do Pará